terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Filme “água negra” e o complexo de maternidade

Filme “água negra” e o complexo de maternidade


                Essa produção japonesa do diretor Hideo Nakata, que para quem não lembra, foi aquele do filme O Chamado, que tem a mesma mitologia, ou seja, da morte ligada a água. Aqui a coisa foi mais direta, já que lá em O Chamado havia um filho na relação com a mãe, e aqui há uma menina. A implicação psicológica muda do complexo de Édipo para o de Elektra, mas há sempre o monstro, o fantasma da menina falecida, com seu longo cabelo negro e morte por afogamento. Esse filme dá um show de criatividade e o diretor trabalha como os grandes do cinema. Até que esse filme é tranquilo e mais simpático, uma vez que os rostos dos outros já estavam manjados. O que vale é a relação especial que se coloca entre a mãe e a filha, e na possível morte dela ou na relação especial que tem com a menina fantasma.
            A mãe Yoshimi nota algo estranho ao mudar para uma nova casa, após divórcio,e sua pequena filha, Ykuko acaba também por ter de se adaptar. Há a briga judicial e o fato da mãe ter feito tratamento psiquiátrico vem à tona. Nesse passo, começa a aparecer a menina de capa de chuva amarela. Noutro momento aparece sua mochila vermelha, e mesmo um anúncio de desaparecimento no poste. Descobre a Yoshimo que o apartamento acima do seu era a morada da menina, e assim como em O Chamado, vem a água a aterrorizá-la. A menina vê mais a manifestação de fantasmogênese, mas a mãe também nota os vultos e a situação da menina desaparecida.
            Numa dessas visões da menina, esta desmaia na creche. Sua mãe também esquece de a buscar e tudo fica cada vez mais confuso. A mente da mãe já não é a mesmo, e desamparada pela falta da figura masculina, ela entra em crise. A mitologia de Hideo Nakata fica cada vez mais presente, e a morte se relaciona a água, e a mãe troca de filha, optando pela falecida. A sua persona morre para dar lugar a outra, seu papel de mãe se sacrifica quando a filha cresce, e por fim a filha vê a mãe que a rejeita, numa morte psicológica. Chega assim a vida adulta para o corpo da filha e para o espírito da mãe desaparecida, que se une a menina da capa amarela.
             O filme é pouco conhecido e tem uma visão mais direta e menos sensacionalista. Um filme mais próximo da arte. Não tão cheio de símbolos quanto o Chamado, mas aqui fica bem claro um complexo psicológico e a necessidade de um parto às avessas, para na água encontrar a morte e um renascimento. Todos os padrões e arquétipos sociais fazem as pessoas se anularem, e nas relações afetivas nem sempre se toma um caminho saudável. O amor da mãe supera o crescimento da filha, e assim opta pela eterna menina imaginária, ou fantasma. Assim a filha também se vê livre e esse laço simbiótico acaba por continuar em ciclos, pois a filha se tornará mãe um dia. Mas o filme acabou na adolescente Ikuko se despedindo da mãe desaparecida, em outra dimensão.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Filme Os girassóis da Rússia e o trem do amor


Filme Os girassóis da Rússia e o trem do amor

        
        Nessa produção italiana de Vittorio de Sica, vemos estrelar a talentosa Sophia Loren e ainda o galã Mastroianni, resultando assim em um drama que envolve guerra e mudanças, choques, apesar da eterna esperança na esposa do soldado desaparecido pelo reencontro dele, e de seu amor alimentado pelo mesmo. O filme se inicia com os enamorados na praia, curtindo a vida, até que vem a guerra, e assim italianos são convocados para guerra na África. O marido de Giovana Antonio assim pedindo licença para o casamento, apesar de ter dito antes pra ela que não mais queria casar, que tinha 32 anos e já teve todo tipo de mulher. O filme assim se desenrola no que em princípio parece uma comédia, haja vista a simpatia do casal. Inventam que Antonio está louco, mas por um azar o dono do sanatório descobre que ela ainda a namora e o mandam para a guerra na Rússia. Acaba assim a alegria e a vida jardinada pelo amor. O filme sempre muda de foco quando há um trem, e percebi essa jogada do diretor.

            Mas o trem do amor parece ser o foco. Não tanto a guerra, mas essa coisa que sentimos e que noutra hora nos abandona, que nos humilha e rejeita. O trem assim parte pra nunca mais voltar. Não percebemos talvez que esse amor reside mesmo em nosso coração, que é algo herdado diretamente de Deus, uma ágape. Por outro lado, procuramos amor físico, fantasiamos mulheres perfeitas, seduzimos aventuras que ocorrem somente no trem da nossa imaginação. O trem do amor assim leva pra guerra, sofremos e desviamos para a fatalidade.

            Nesse filme de amor, a Giovana vai procurar o marido e amado, desaparecido na guerra, e assim viaja até a Rússia anos depois do ocorrido. Hoje essa mulher teria procurado outro homem, ainda mais em terra de italianos e galãs. Mas da época que o filme representa, ela viajou e assim procurou em estádio de futebol achando um rapaz italiano, e, aos poucos ao perguntar para muitas senhoras, encontra a casa onde está seu esquecido esposo. Esquecido porque teve amnésia. Assim claro, estava com outra mulher, mais bela e mais jovem. Os caras já fcazem isso sem amnésia, imagina com amnésia – trocar mulher por uma mais bela e jovem. Na verdade o homem procura perpetuar seu sonho o no desejo projeta esses planos que tem em seu íntimo. Não tem a vare com idade, mas com manutenção da paixão. Mas Antonio foi salvo por essa jovem e bela russa (Mascia), e assim nada mais lembra de seu antigo amor, Giovana. Ela lhe mostra fotos e tudo, mas nada.

            Imagine ter um amor que morre não pelo rompimento, mas pela amnésia. Seria uma fatalidade natural, um choque gnoseológico. Mas na vida real temos as experiências e elas não acabam sendo eternas, a não ser para nós mesmos. Porque o ego se ama, mais do que ama. Então a triste Giovana volta para a Itália, novamente de trem, esse trem do amor, descarrilado na realidade, e passam os anos e ela encontra outro companheiro, não um amor, mas um companheiro. Chove e retorna Antonio, a procura para pedir novamente o retorno do amor. Ele supera a amnésia. Assim ele pede ajuda a uma prostituta pra encontrar a casa dela, dormindo com a mesma, mas sem qualquer desejo pelo ato erótico. Liga deste local para Giovana e descobre onde ela mora. Vai lá e quase consegue um retorno desse amor, mas ela não mais quer. O trem do amor assim é pego e tristemente Antonio volta pra Rússia, ao tchau de Giovana.

            O trem do amor lembra muito aquela obra de Platão, O banquete, onde se discute o amor e se fala na metade perdida de cada um. Talvez na amnésia e nas batalhas que temos na vida esquecemos dessa metade, dessa parte de nós mesmos. O trem do amor parte assim em frustrações e nos arrependemos de coisas que não fizemos, não vivimos, de coisas que não voltam, ficando no inconsciente. O trem leva para o fim, para uma dura transformação, mas que tem de ocorrer. Esse filme é especial porque tem a bela cena dos girassóis, que na verdade são de um local de cova coletiva, dos mortos da 2ª guerra. E também em homenagem a grande atriz Sophia Loren, que tem seu especial destaque.  


sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Filme “Cubo” e as prisões epistemológicas

Filme “Cubo” e as prisões epistemológicas


         Essa produção canadense de Vincenzo Natali, supera o esperado, e choca logo pelo local em que se desenrola: em um cubo que serve de prisão, repleto de armadilhas onde seis pessoas vivem uma espécie de reality show, umas vendo as outras morrerem de forma fatal. O filme tem uma violência comparável aquelas produções intituladas “Premonição”, porém com um foco de ficção científica, indicado a todos os intelectuais e eruditos. Tentamos decifrar o enigma das armadilhas e assim o filme se diferencia dos outros, porque trás certa participação do cinéfilo. O filme traz duas opiniões: ou se ama o filme, ou se odeia.
         Começa por um homem que cai em armadilha, e assim também foi no Cubo Zero, que trouxe as respostas da primeira versão. Aqui no Cubo vemos que as coisas trazem uma série de questionamentos dos seus reclusos, como se trata de coisa do governo, de conspiração ou mesmo de um psicopata. Porém na crise as pessoas se tornam até violentas e revelam traços inexperados de suas personalidade. Além de que cada uma tem sua prisão epistemológica, seus conhecimentos limitados. A matemática só entende dos cálculos, que parecem ser a salvação, mas não resolvem o problema de procurar a saída dos 21 cubos, ou milhares de cubos que funcionam em mecanismo caótico. O policial acha que entende das coisas e quer bancar o herói, mas acaba sendo por fim o vilão. A médica entra quase em choque, e não auxilia muito, a não ser atrazer mais pessimismo ao grupo. O deficiente mental começa como excluído, mas acaba sendo a salvação do grupo, porque é gênio em matemática e em descobrir os tais números primos, chave do enigma.
         As perguntas que ficaram no primeiro Cubo foram respondidas em outra produção, em Cubo Zero. Lá vemos o grupo de pessoas malucas que cuida desse dispositivo de morte e vemos que muitos até saem do cubo, mas não respondem certo a pergunta fundamental: “você acredita em Deus?” e assim acabam na fogueira e acorrentadas, após não responderem. Um clima meio medieval e misturado a tecnologia e a arquivos semelhantes a que possuía a segunda guerra, em local subterrâneo, quase um inferno tal Cubo.
         Primeiro pensei em um fractal, quando amigo meu sugeriu esse filme, mas ao assistir vi que não se tratava de algo virtual, mas da própria escravidão epistemológica das pessoas, seu individualismo que não salva e ideias limitadas. Umas condenam as outras, crenças se opõem a crenças e forças obscuras existem. Também me veio a ideia esotérica de cubo, que se trata da dimensão material de existência, que por tal é tridimensional, limitada por tempo e espaço. Superar essa roda ou cubo é na verdade encontrar a verticalidade e a epistemologia suprema, não mais tendo de entrar nas encarnações e mortes, ou na roda de sânsara hindu. Isso leva a Nirvana ou ao paraíso de Deus. Vi no cubo tudo isso e um pouco mais. Além da tecnologia inserida para controlar o ser humano, no reality show do grande irmão a que vivemos hoje em dia, controlados por internet, celulares e outras coisas, que não notamos.
         Fato é que quando terminamos de ver o Zero que entendemos o primeiro Cubo, e assim admiramos de onde surge tanta criatividade. Nos comentários do diretor, vemos que várias dicas são fornecidas, e que o filme traz muito de nossa cultura, apesar de também levar a questionamentos. Vejo que na ideia do ser para a morte, já falada por Sartre, pode ser uma chave possível a essa produção canadense. Vemos tantas armadilhas existenciais, como fanatismos, crenças absurdas, crimes, jeitinhos, etc, que se há uma lei maior, as pessoas estarão logo massacradas pelas armadilhas que elas mesmas montaram. O filme Cubo apenas mostra tais detalhes de forma fictícia, mas revela bem os preconceitos sociais, em especial com o transtorno mental e com a falta de fé verdadeira das pessoas, bem como seu egoísmo e luta pela sobrevivência. Um filme que tenho na prateleira e que sempre revela algo novo. Não se trata de filme clichê e sim, tem muita inovação. A curiosidade é que todos os personagens têm nomes de prisões pelo mundo, e que foi filmado em câmera de mão. Também o destaque fica para a empresa de efeitos especiais, a Core, que recebeu premiações. Mas fica a lição de aprender a saber pensar, para superar as prisões da existência.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Filme “Delírios de um anormal” de Zé do Caixão e apego

Filme “Delírios de um anormal” de Zé do Caixão e apego


Um psiquiatra brasileiro queria provar que José Mojica Marins (Zé do Caixão) era louco, isso na vida real, haja vista sua esposa, a do psiquiatra, estar fixada nos filmes e no personagem sinistro. Assim, por ciúme e apego a sua amada, o psiquiatra convidou Mojica e este foi a sua casa, mas para provar que não existe tal personagem, que é uma criação sua. A mulher por fim se desencantou e perdeu a paixão pelo homem de longas unhas e capa preta, bem como seu esposo foi acalmado. Resta que por esse fato da vida real, Mojica fez esse filme surreal, que retrata um psiquiatra com pesadelos onde sua mulher foi raptada pelo Zé do Caixão e está a passear perdida pelo inferno. No mais, pura arte e cenas que chocam pela criatividade e originalidade.
            Diferente de outros filmes, como “Essa noite encarnarei no teu cadáver”, aqui o Zé que acaba por se aproveitar das pessoas. Em especial, as mulheres sofrem no inferno. Mas em resumo a arte de Zé retrata bem a perseguição sofrida pela censura e pela ditadura, o que foi concentrado nesse filme. Mas o psiquiatra não tem tratamento com seus pesadelos, está acamado. Assim a equipe que o trata chama José Mojica pra ajudar a convencê-lo que Zé do Caixão não existe, tarefa dificultosa pelo forte apego do paciente pela mulher que o Zé seqüestra. Não é bobo tal Zé, pois ela sensual e despertadora das paixões mais calientes. Assim diz a ele, o Zé do Caixão: “Essa mulher não te pertence”. Que marido apaixonado desejaria ouvir tal frase? Um teste para o ciúme. E ainda que o Zé disse que essa mulher era a “escolhida” para a geração de um filho perfeito, etc.
            O filme já começa chocante, com uma espécie de doido e seu tambor, e uma série de mulheres em quase ritual especial. Com os pesadelos do perfeito psiquiatra revelam a face do inferno, com todos os seus detalhes. O Mojica disse que dentre o seu público estão os ocultistas, e mesmo muitos umbandistas. Fato é que o Zé do Caixão, a entidade, teria inclusive baixado em um terreiro. Isso prova a força parapsicológica da criação mental, não podendo afirmar a inexistência de algo, nem de um personagem. Bom que o filme mantém uma história paralela, de um Zé do Caixão bem sucedido, que dá todo conforto a empregados em sua mansão, o que na realidade não havia ocorrido. Sempre foram muito baratas as produções e mal davam para sustentar a vida de Mojica, sendo puro amor pelo cinema, e não enriquecimento, seu fim, na vida real.
            Mas vale a reflexão sobre o apego, nossas emoções mal resolvidas e sobre as crenças. O inferno é ponto focal de nossa cultura cristã, seja ela de que denominação seja. No discurso que Zé faz no CD da banda Sepultura (Against) fica bem claro o seu tratamento ao inferno, como consequência de todas as aberrações sexuais. Nem no caixão estaria o descanso, por ironia. Em diversas culturas se descrevem demônios e inferno, então há um fato comum nessas crenças. Nada mais é que uma forma de purgar as imperfeições humanas, seu apego instintivo para que a alma saia purificada. Um batismo de fogo. E essa sim é a espada (flamejante) dos querubins na entrada do Éden. Vale que o filme retrata tal meio mais com máquinas de torturas (um homem teve seu dedo amputado, mas na vida real já não tinha dedo, por curiosidade...), insetos e cobras (por isso as mulheres sofrem...), do que com fogo. Há uma série de efeitos especiais sem computador, com meros materiais ingênuos ou maquiagem. Uma obra de arte desse Bluñuel brasileiro, que deve ter sua homenagem na sétima arte. O filme é bem diferente, e vale a pena.      

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Psicose de Hichcock e justiça inevitável

Psicose de Hitchcock e justiça inevitável



         Esse filme é uma pintura, mesmo que em preto e branco. Uma aula de cinema. Marion é uma bela secretária que acorda em um motel com seu amante. Trabalha em uma corretora de seguro e tudo está perfeito em sua vida, faltando apenas uma coisa: dinheiro. Eis que surge um velho pomposo com muitos milhares de dólares em dinheiro e ela fica responsável por trocar isso em banco por um cheque. Ela assim tem tudo em sua mão e aproveita a oportunidade. Transgride o pecado  do roubo, fugindo com seu carro para o mais longe que pode. Encontra o policial e assim com pressa corre em uma fuga frenética, envolvida pela trilha sonora mais intensa do cinema.
         Tudo por dinheiro: esta é a moral do nosso tempo. Isso já falei em meu livro Crítica da Moral, e é a retirada da máscara de nossa atual sociedade. Marion (no livro Mary) então viaja mais um pouco e o policial que pediu seus documentos não a persegue mais. Ela encontra um Hotel e assim não percebe que o perigo lá é maior do que na cidade de onde veio, do Arizona. Bela e sedutora loura encontra naquele reduto não um descanso, mas o fim se seu sonho de bandida. No Bates ela se hospeda e assim conhece um rapaz esquisito (Norman Bates) que é refém de uma mãe controladora e tem a ocupação de ser embalsamador de animais. Todos os personagens do filme têm forte ligação com a mãe. Não desconfia ela que esse doce sujeito é o anjo da morte de seus planos asquerosos. 
         Nesse filme que nem é tão antigo, mas que por opção do Sr. Hithcock foi filmado em preto e branco, por causa da cena da faca no banheiro, haja vista evitar censura desse momento central. E foi mesmo, uma das cenas que marcaram a história do cinema. 12 quartos e 12 vagas. É como se a Marion encontrasse os apóstolos de seu Juízo Final. O capitalismo selvagem foi sobrepujado pelo instinto selvagem: psicose. Faz um lanche com o rapaz do hotel e acaba estando pronta para o sacrifício. Óculos e que ingere álcool, e já no filme colocaram um bom moço, bem mais jovem. Norman é no livro um senhor de meia idade, com Nações primitivas de canibais alimentavam bem suas vítimas. Norman Bates assim acaba com o crime perfeito da bela e atraente Marion.
         O diretor usou caldo de chocolate para fazer o sangue da famosa cena do esfaqueamento, e na cena mesma teve uma dublê, não sendo a atriz que fez Marion (Janet Leigh). Também o efeito sonoro decorreu de uma faca enfiada em melão. Boatos dizem que ela nunca mais tomou banho de banheira, mas parecem ser apenas boatos. Na prática, o psicótico inverte valores de bem e de mal e não tem mais limites éticos. Puro instinto, puro uso da área do cérebro que neurologistas chamam de reptiliana. Mata, rouba e faz barbaridades sem qualquer emoção. E tudo pela ganância, pela avareza e o sagrado capitalismo e seus sonhos materialistas, alimentados por papel-dinheiro. Foi o capitalismo que matou essa jovem, foi sua ganância e frustração, combinados com poucos limites éticos que fizeram ela cair na tentação. Não seu forte a tentação, já representado no amante do início do filme. Seu corpo é ocultado e assim a sujeira capitalista fica sempre oculta, apesar de ser o sistema que vingou na sociedade “humana”. Se tal sistema permite a fome mundial e mortandade em massa, não é melhor que qualquer criminoso ou psicótico.
         No final um psiquiatra explica a dupla personalidade do rapaz e sua simbiose com a mãe, diferenciando de um travesti (pois vestido de mulher...). Há uma espécie de imortalidade da mãe dele em sua própria psique, de modo que ele vive numa espécie de esquizofrenia, ouvindo e reproduzindo a voz e presença da mãe falecida. Isso tenta ser explicado e o criminoso está preso, bem como o veículo de Marion achado no fundo do lago. O rapaz parece mais louco ainda e derruba a imagem de bom moço. Interessante é o bom contraste do filme por ser preto e branco. Também símbolos como a cor da lingerie de Marion, branca quando curtia a vida com amante, e preta quando prestes a morrer, revelam a luz da vida e o negro do luto. A cena do banho ficou para a história do cinema como uma das mais marcantes. Por isso o filme é uma referência.