sábado, 3 de julho de 2021

Filme “Paternidade” e o homem responsável

 

Filme “Paternidade” e o homem responsável







No filme Paternidade se mostra um homem viúvo, que perde a esposa após esta ter o parto, e assim cuida sozinho do bebê, após ajuda de mãe e sogra, então avós da impúbere. Desta forma, o pai conseguiu com responsabilidade cuidar do bebê, aprendendo como lidar com detalhes que geralmente apenas mães recentes descobrem. 






O filme faz lembrar a relação com o masculino, tão renegada atualmente, onde muitos pais deixam os bebês com as mães, e separados, não têm o contato mais próximo de amados filhos. Lembra outro filme, onde um pai era forte e cuidava do filho, mas depois de o reencontra, o Falcão de Stalone, bem como outro filme mais recente, de Eddie Murphy, chamado Imagine Só, este último também com uma menina. Na filosofia se pode lembrar das cartas de Sêneca para filho, ou de Marco Aurélio, dentre outros. Curioso que o filme Paternidade mostra uma menina que veste roupas masculinas, assim com chacota por coleguinhas, que percebem este fato. Em certo momento o pai tem de viajar a trabalho e fica um tempo longe da filha, mas por fim reencontra esta, além de ter a harmonia com nova mãe, ou madrasta, que também é amada pela criança. 





O filme paternidade mostra uma opção leve e para a família, em meio a filmes que cada vez mais apelam a distrações, não se concentrando na narrativa e personagens.

sexta-feira, 18 de junho de 2021

“O Poder Feminino” e o patriarcado

 

O Poder Feminino” e o patriarcado








Apesar da série Poder Feminino, The Bold Type mostrar sempre mulheres empoderadas, conquistadoras, defensoras da diversidade, dos trans e inter-gêneros, mesmo assim pareceu algo ainda envolto de patriarcado. Basta ver quem manda na empresa : é o homem, no caso o esposo da chefe das colunistas de revista feminina, ou da “escritora” premiada, se é que colunista de revista possa ser comparada a algum escritor de romance.




A série é divertida, mostrando a vida de três amigas, uma delas “amigue” destas, pois bissexual, de modo que trafegam através de relacionamentos, crises profissionais, conquistas na empresa e defesas de classes marginalizadas, ou minorias. A defesa da mulher ocorre vez ou outra, apesar de duas das amigas se renderem a paixão de um masculino ou outro. Vez ou outra a série busca alguma apelação na sensualidade, mas no geral faz refletir sobre questões atuais e diversidade, o que pode render um embate político de direita contra esquerda, e por lá o vilão parecia Trump. Além dessa série, seria interessante as mulheres empoderadas lerem pensadoras, como Simone de Beauvoir, a fim de compreender melhor os processos históricos envoltos na luta feminista. As três amigas mesmo assim se mantém numa ligação saudável e fraterna, apoiando sempre que possível a vida uma da outra. Sempre o que deve ficar claro é que apesar do feminino estar em destaque, não vive sem o masculino. 


Há uma dualidade nas coisas, uma lei de gênero, já tratada lá por Hermes Trimegisto, o sábio egípcio. E assim na série há um homem para liderar e mandar na empresa, que se tem poder feminino, não deixa de valorar o masculino, seja nos amigos, namorados ou mesmo chefe, homens. O patriarcado se mantém velado na série, mesmo que as mulheres tenham grandes conquistas, bem como superando a visão, em diversidade de gêneros.

domingo, 25 de abril de 2021

Filme Fuja e a dependência materna do vulnerável

 

Filme Fuja e a dependência materna do vulnerável






O filme Run, ou no Brasil Fuja, mostra uma menina cadeirante vivendo com sua mãe, tomando remédios e tendo o sonho de entrar na universidade, esperando o tão desejado envelope do correio. Ocorre que aos poucos começa a perceber manipulação da mãe, seja com os medicamentos estranhos que recebe para tomar, seja pelo cárcere privado que a limita de ter o contato com o mundo. A simbiose com a mãe passa a se romper, quando percebe tomar um medicamento que causa paralisia das pernas. Noutro momento ela fica limitada por não ter internet, e assim telefonar para estranhos a fim de pedir socorro ou ajuda. 


O curioso que a atriz é cadeirante, e assim mostra uma verdadeira inclusão no cinema, o que podemos apenas presenciar agora em versão streaming. Também mostra a grande capacidade e normalidade de todos, sejam eles limitados intelectualmente, sejam fisicamente. O Estatuto do Deficiente já ampliava os direitos e liberdade de todos, mas não foi muito divulgado ou recebido pela sociedade. Direitos como o de negociar, casar, etc, são ainda vistos como proibidos por parte de quem convive com alguma limitação, pela sociedade. No caso do filme a mãe tenta de toda a forma limitar a filha, não a deixando viver a vida, ter a vontade de viver a que falava Schopenhauer. O vulnerável acaba se limitando, não tanto por si mesmo, mas por parte do que a sociedade faz dele. Os preconceitos, tema inclusive de recente ENEM, mostram o quanto se é difícil mudar o ponto de vista das pessoas. Tentou-se acabar com a APAE, ainda se tentou criar escolas especiais de outras formas, excluir os vulneráveis, e isso tudo mostra uma sociedade bem confusa com a inclusão de todos. Na escola faltam segundo professores, intérpretes de LIBRAS etc, e isso mostra o quanto ainda se é dificultada a vida de cadeirantes e outros. 


No filme fica por fim o mistério se a menina podia mesmo caminhar ou não, uma vez que não aparece no final caminhando com grande progresso. O melhor que é todos temos fugas existenciais, e somos de algum modo limitados por alguém.

Mariano Soltys, professor e advogado

domingo, 11 de abril de 2021

Filme A Semana da Minha Vida e a Filosofia

 

A Semana da Minha Vida





Um jovem rebelde, Will Hawkins, acaba tendo uma escolha para o destino de sua vida: ou vai ao reformatório, respondendo por seus atos de vandalismo, roubo etc, ou vai para um acampamento cristão de verão, e pode também ter a esperança de encontrar um novo lar. No livre arbítrio, este escolhe o acampamento, e quem não escolheria? O moço ainda encontra um ambiente musical, onde todos cantam e dançam, ainda demonstrando sua fé cristã. E lá conhece uma garota, a queridinha de Good Witch, Bailee Madison, também narradora bíblica, que lhe inspira a esquecer do passado e se entregar a uma nova esperança. 





Virtudes teológicas, fé esperança e amor. Desse modo, o garoto encontra uma conversão, se torna um novo ser, ele é batizado, mesmo que não por água. O drama adolescente revela aquela fase descrita por Piaget, de escolha de valores morais, e ainda mostra um pouco de responsabilidade, apesar de essa ser colocada muitas vezes em demônio, por nós cristãos. O problema ocorre quando o menino mente sobre seu passado, e seu adversário de esporte no acampamento descobre sua ficha suja. Mas a garota vê no moço o arrependimento, e tudo se resolve no arrependimento para apagar qualquer mal do passado. O estranho que isso por alguns cristãos seria pré-destinado, assim como se fosse a escolha do rapaz pelo reformatório ou prisão. O estranho é que instrutores usam também fantasias de índios antes da competição, o que parece ser muito estranho, uma vez que cristãos teriam acabado com muitos índios por lá. 









O filme não foi bem recebido pelo público, apesar de ter a simpática atriz de produções infantis e natalinas. Já o moço encontrou seu caminho na fé e na música, mesmo que assuma os seus B.O. e tenha de arrepender do passado, ainda conquistando a mina. Ele fez a escolha de Pascal, na famosa aposta.

domingo, 7 de março de 2021

BBB, capitalismo de vigilância, Pavlov e aversão a legendas étnicas

 

BBB, capitalismo de vigilância, Pavlov e aversão a legendas étnicas







O Big Brother, como o nome mesmo diz, nos leva a pensar em 1984, e a uma espécie de capitalismo de vigilância. Experiências científicas foram feitas com pessoas confinadas, no passado, e nessas havia apenas o público científico a assistir. Hoje temos o privilégio de acompanhar uma experiência parecida. Um programa de TV, de bom entretenimento. Quem não procura a fama? Hoje a fama vale mais do que dinheiro, para muitas pessoas. 






Na sociedade da vigilância percebemos muito disso e mais, onde cada um está vigiado por suas câmeras em celular. Todos postam fotos, histórias, sua vida. Somos também o Big Brother. Mas no programa de TV, que reuniu dessa vez muitos artistas, cantores, além de professores, influencers e outros, e vemos um jogo que repete a simpatia e a não simpatia dos jogadores e público. Aos jogadores são dadas provas físicas e de atenção, é racionado alimento, são dados prêmios, fantasias de “monstros” etc. Semelhantes aos experimentos de Pavlov, a recompensa gera um hábito, e se consegue estimular um comportamento. 






A nossa sociedade também premia e pune, também tem seu confessionário, suas votações, conquistas, festas e eliminações. O problema que isso hoje nos leva a entregarmos nossos dados, e a sermos chamados a consumir. O capitalismo tomou toda a nossa vida. Já o jogo BBB 21 começou com grande crise na perseguição e exclusão de um participante, o que acabou marcando alguns participantes como vilões. A curitibana acabou sendo grande vilã, apesar de isso parecer ter sido um tanto mantido e construído, pela audiência. 




Ivan Pavlov 



O fato é que o discurso na defesa de legenda étnica ou racial não pegou bem, e nessa defesa um a um os integrantes e ideólogos foram sendo eliminados pelo público. O Brasil é colorido, e os que falavam no tema, eram pessoas de destaque e sucesso, inclusive financeiro. O público parece não ter se identificado, apesar de vir de origem negra, e tema merecendo mesmo mais atenção, mas com abordagem mais inteligente. Os temas relevantes não vêm tendo atenção, e o público quer mais ver festa e brigas em BBB. Afinal, é um programa de entretenimento, apesar dos brothers.



Mariano Soltys, filósofo 

quarta-feira, 25 de novembro de 2020

O "Gambito da rainha" e o xadrez no Brasil

 

“O Gambito da rainha” e o xadrez no Brasil









Uma série que teve boa influência recente foi “O gambito da rainha”, que se refere a uma jogada, onde num esporte que já foi tipicamente masculino, o xadrez, uma menina acaba por vencer diversos meninos e ganhar destaque mundial, em metade de século 20, de modo que se afastou de estudos e ganhou dinheiro em campeonatos. Essa menina teria vivido em orfanatos, e sido adotada por quem a apoiou no esporte, a mãe que viaja com esta. A mesma deixa suas emoções de lado, e se concentra em xadrez, esporte que deixava as mulheres em classificação em separado, e que tem ainda maioria do público masculino.





 No Brasil, após a série, explodiu a procura de xadrez por mulheres, o que é salutar e muito positivo, mostrando que a TV, ou a Internet podem sim ter boas influências educativas, mesmo que o público religioso ou conservador julguem essas mídias de lixo, como aparece muitas vezes em redes sociais. Temos bons jogadores, e jogadoras no Brasil. O destaque fica para jogadores russos na série, que seguindo alguns, devoram os jogadores americanos. Uma brasileira campeã de xadrez disse que gostou da série, e que notou a personagem afirmar sua feminilidade, comprando roupas, e mostrando que é mulher. Nos campeonatos a jogadora já viu homens revoltados por perder dela, e alguns até jogaram tabuleiro no chão, ou batem na mesa. Que a inteligência vire moda entre as meninas, e o xadrez mostre que a mulher pode tudo o que o homem faz, e se afirme na sociedade. Que Simone de Beauvoir seja lembrada e o feminino se destaque no esporte. 







Na série apenas fica estranho o vício da menina em medicamentos, e se comenta que não precisa nenhum remédio para jogar. Basta a técnica e o amor pelo xadrez. Que mais programas de TV e streaming inspirem a inteligência.

Mariano Soltys, advogado e filósofo.