segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Filme "O desafio das águias" e Maquiavel


Filme “O Desafio das Águias” e Arte da Guerra maquiavélica


                Apesar de todas as mazelas que vimos na 2ª Guerra Mundial, bem como mentiras e promessas vãs, ocorreu de demonstrar a grande inteligência humana, mesmo que para a perversidade. Nesse filme onde estrela Richard Burton e Clint Eastwood, vi um bom trabalho de enredo e representação, apesar de ser meio duvidosa a reação alemã, a qual quase não ocorre, a atividade desses espiões britânicos vestidos de germânicos. Faltavam filmes de guerra propriamente ditos, e esse pra mim tem muito de 007 e não pegou o mal ainda da Computação Gráfica, exigindo assim grande trabalho de dublês. Um dos melhores filmes sobre a guerra que vi.
            Já vi outros filmes mais atuais sobre a Segunda Guerra, se é que não é continuação da Primeira, e antes eu usava mais para testar sistema de home theater, como em “O resgate do soldado Ryan”, ou outros filmes, como “Uma batalha no Inferno”, onde há desfile de belos tanques de guerra, ou “A vida é bela”, que mostra de forma leve campos de concentração, onde há também bom trabalho, mas já estando muito batida a suas críticas e análises. Nesse filme que agora comento, há todo um trabalho de inteligência e espionagem, o que me interessou, haja vista ser trabalho da arte da guerra, filosófico, digno de um Sun Tzu e de um Maquiavel, este último mais próximo de nosso mundo. Na “Arte da guerra” de Maquiavel há uma série de estratégias de guerra, bem mais reais do que aquelas que vemos em filmes.
            Disse Maquiavel: quem tem mais amor à paz que o soldado? De certa forma vemos no protagonista do filme um sujeito que procura em sua namorada, a bela loura que o auxiliava, e também muito inteligente, a enganar os alemães e resgatar o prisioneiro britânico, que tinha informações sobre “O Dia D”, o que poderia alterar os rumos da guerra. Desse modo uma guerra para a paz, e para curtir a loura (não a cerveja...) apesar de estar em território teutônico. Interessante o castelo onde estão os alemães e a inteligência para se chegar ao mesmo. Disse Maquiavel ainda que a guerra se mede com a tropa e com o dinheiro, e quem os tiver vencerá. Vejo que foste pelo castelo alemão, onde apenas se chegava de bondinho, isso nos Alpes, era uma demonstração clara do seu poder e riqueza. Também o grande número de veículos e o helicóptero mostravam a vantagem aparente alemã.
            Maquiavel ainda fala da distinção entre vida civil e vida militar. Observando a época dos anos 40, fica claro que a guerra era de todos, pois não só soldados estavam envolvidos. No filme se nota a participação de mulheres, e ainda a indústria que movia a mesma guerra, certo progresso científico. Automóveis, bondes, aviões, tecnologias, rádio, TV, medicina, tudo isso surgiu lá, e usamos em nossa vida civil. O filme foi um pedido do filho de Burton, e ele queria ver o pai em um filme de ação. Parece mesmo um 007, em alguns momentos o filme. Já Eastwood disse que foi o filme que ele mais matou pessoas, apesar de antes ter feito tantos westerns.
            E Maquiavel ainda fala em República Romana, o que nos dispensa comentários. Vemos que Roma teve por ideal a arte da guerra, enquanto a Grécia antiga gostava da arte da filosofia. O filem demonstra várias estratégias inimagináveis, e cada vez mais não consigo imaginar onde eles levaram tantas dinamites. Difícil entender que tudo estava em uma mochila. Também que não consigo imaginar alguém que fale alemão sem o ser, então mais que suspeita essa missão “britânica”, ou norteamericana. E Maquiavel cita bem um provérbio: “ A guerra faz os ladrões, a paz os enforca”. Nada mais verdadeiro com relação ao que observamos, em buscas por petróleo, mais modernamente. Mas o filme traz uma nova opção para o cinéfilo e garante diversão, em perseguições e cenas inteligentes, como a do agente britânico tentando convencer inimigos que é da SS e noutro momento que eles fazem conspiração para matar Hitler. Valeu a regra maquiavélica por fim, e esse filme tem muito de diferente dos outros do gênero.

2 comentários:

  1. Sobre a belicidade romana que resultou na dominação da cultura helênica toda imbuída de intelecção, digo que há um marco de acordo com o qual a inteligência tem de abrir mão da abstração e cingir-se de pragmatismo. Os romanos devem ser duas vezes admirados: pelo militarismo organizado e por ter a esperteza de levar cativa para o centro do Império aquela cultura que, do ponto de vista teórico, lhe era superior. Quanto ao fato de a guerra produzir os ladrões e a paz os enforcar cabe muito bem aos comunistas. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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  2. e hoje fizemos la na radio o programa sobre paz.. E assim ha a dialetica caro amigo..abraco.

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