domingo, 22 de janeiro de 2017

ASSASSINO A PREÇO FIXO: O ANTIGO E O ATUAL


ASSASSINO A PREÇO FIXO: O ANTIGO E O ATUAL






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Começarei a fazer um comparativo e filmes antigos que tiveram suas versões atualizadas, mudando atores e algo do roteiro. Hoje temos aqui o Assassino a preço fixa (em inglês Mechanic, Mecânico), que em Charles Bronson fazia tremer pela inteligência e astúcia do personagem, bem como de seu lado refinado em residência. Já o atual, com o ator de Carga Explosiva, Jason Stathan, somou alguma luta corporal e característica do ator e do cinema atual, que além de tiros não deixa de acrescentar os socos e chutes com uso ainda de objetos, em golpes estilo Jackie Chun. O roteiro ficou um tanto parecido com o filme antigo, apesar de no final explicarem as coisas, o que no antigo era subentendido. De qualquer forma são dois filmes que mostram a rotina de um matador de aluguel.







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Tanto no antigo quanto no novo, o filme se baseia na história de um matador de aluguel que precisa assassinar um grande amigo, e depois o filho desse amigo rico, o busca para aprender o ofício de Mechanic, ou matador de aluguel, e assim descobre no meio das tantas que seu mestre é o assassino do pai, e por fim deseja a vingança. O final é surpreendente e sai um pouco dos clichês de filmes que geralmente se apresentam. No antigo o jovem demonstra frieza ao ver sua irmã tentar suicídio cortando os pulsos, e já no novo ele briga com homem de rua e luta com outro sujeito bem mais forte que ele, igualmente mecânico. Já no antigo o rapaz andava em festas e demonstrava conhecimento em áreas diversas, como na habilidade em pilotar motos. Cena de perseguição de motos é impagável no filme antigo, bem como a do trator empurrando carro em precipício, ou das bombas jogadas na estrada.




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Já no novo há umas cenas estranhas, como quando saltam de prédio segurados por cabo de aço, o que mostra ser mais um facão e zoação do filme. O antigo tinha uma seriedade e ar sombrio da época, coisa que o atual não conseguiu reproduzir, e nem se igualar. Também Bronson dá medo só de ver, com seu ar de espião russo, e cara enrugada, o que o ator atual não demonstra possuir. Quanto a mansão ou refúgio onde o assassino estuda e planeja a morte paga por seus clientes, a atual vale pelo toca-disco hi-end (caríssimo...) e sistema valvulado (igualmente), demonstrando o bom gosto do novo personagem.




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Marca que fica no antigo e que no atual não se repediu, é o estudo e parte intelectual do “profissional”. Com Bronson os estudos tinham uma ficha e diversos detalhes das pessoas, procurando as assassinar para que tudo fosse “limpo”, ou parecesse um acidente. Na primeira vítima do novo, um cadeirante, se simulou um assalto de carro, e todos acreditaram na história. Já no antigo os tiros de sniper e luneta eram um meio de se retirar qualquer proximidade ou desconfiança com relação ao trabalho.





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Por fim, a vida pessoal do Mecânico é sempre muito fria e distante, sem amigos ou namoradas. Isso foi repetido quando ele contrata uma garota de programa em balada, que finge ser sua amante. No antigo a moça até lia uma carta de amor, tentando simular também esse afeto com o profissional. Mas o novo aprendiz demonstra ter habilidades com armas e luta corporal, o que o antigo não possuía. Uma analogia muito inteligente do novo é que o ator ou mestre tem um carro que faz manutenção, e assim é também mecânico no sentido usual. Em tudo isso demonstra uma imperturbabilidade digna de um assassino de seita, e uma noção de corporação muito forte, em que a ordem de matar melhor amigo não é questionada. Por fim o empregado vira contra o empregador e as regras são suspensas, interrompendo o maquiavelismo e a ética amoral. Por fim, o filme novo também tem boa perseguição de carro e o final idêntico ao antigo, o que pode trazer admiradores de Bronson para novos títulos que imitem o mesmo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Filme Inferno e a Divina Comédia de Dante, bem como a filosofia medieval


Filme Inferno e a Divina Comédia de Dante, bem como a filosofia medieval




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Após os sucessos de Código da Vinci, bem como Anjos e Demônios, eis que agora surge a adaptação de mais uma obra de Dan Brown para o cinema: Inferno. Dirigido por Ron Howard, e mais uma vez estrelando Tom Hanks. Semelhante a todo o filme que restringe a informação do livro, bem como amplia com o aspecto visual, pelas belas cidades, igrejas e obras de arte mostradas, resta que se trata de uma história de bomba, daqueles que você espera que exploda ou acabe alguma hora. Mas vale pelas citações de Divina Comédia, bem como da referência do personagem com sua amiga, Robert Langdon como Virgílio procurando a sua Beatriz.
 
 
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De forma diferente a obras anteriores, agora não se trata de uma conspiração ou de religiosos fanáticos os antagonistas, mas sim de um cientista maluco. Ele achou que um vírus, a semelhança de uma peste negra, matando 95% da população mundial faria o planeta melhor. Junto a ele veio ainda a bela namorada, que engana Langdon, seu gênio simbologista, para chegar ao vírus e assim usar da ciência, que alguns dizem imparcial, para destruir o mundo. Langdon sonha com o Inferno de Dante e vê pessoas nos seus tormentos, o ladrão atacado por cobra, o adivinho com a cabeça virada para trás e assim por diante. Filmes que retratam o inferno que podem ser também citados são o “Amor além da vida”, de Rob Williams e um nacional, de Zé do Caixão, o “Delírios de um anormal”. Mas a charada fica meio no ar, quando o protagonista tem de decifrar uma imagem retratando o inferno e não decifra nada, apenas vai procurando lugares em construções antigas.

 
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O que faltou na obra foi alguma referência a sociedades secretas, o que coloria as obras anteriores. Não que não haja na Divina Comédia algo, ou que mesmo Dante não tivesse sido membro de uma ordem secreta. Ele foi, e pelo que lembro, da mesma de Hyeronimus Bosh. Ademais, as cenas de inferno interessantes eram desse artista, e também poderia ser lembrado na obra ou filme. Mas no canto XXV da obra de Dante se pode ver alguma referência maçônica. Também o livro de Dante guarda segredos iniciáticos e esotéricos. Voltando ao filme, esse trata mais uma vez de impasse entre a ciência e a fé, entre a razão humana e a Revelação Divina. Esse seria o encontro de Beatriz, ou reencontro, que foi aludido no filme como o reencontro do professor, já sem memória, com sua amiga acadêmica. Um estudo de arte poderia ser feito com o filme, e nesse sentido usado também para alguns eventos históricos pouco comentados. Sobre o inferno se poderia ver a teologia de Karl Barth, que falsa numa predestinação de Deus para as pessoas no inferno. E de filosofia medieval, poderia se ver algo de Tomás de Aquino e de Agostinho, dentre outros pensadores, sobre o tema do inferno.

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Por fim o filme tem sua bomba com o vírus, e assim segue o mesmo foco de Anjos e Demônios, onde se tem desarmar a bomba e salvar o planeta. Vale pela atuação da bela Felicity Jones (do novo Star Wars), que mostrou uma reviravolta, ao se mostrar em vez de auxiliando o protagonista, uma nova antagonista. A iluminação da cenas foi boa, as locações, bem como efeitos especiais na ação bem moderados. Mesmo com o protagonista descobrindo que seu destino era armado e guiado por drogas que lhe injetaram, o que agrega alguma ficção e conspiração na história. Pelo menos o personagem ensina algo e é um intelectual. Vivemos em um tempo em que os idiotas têm vez, e os eruditos ficam ocultados. Bom sempre lembrar que a liderança é para os líderes, e que a solução de impasses fica para quem é especialista. O filme tem um bom roteiro, por citar algo de Dante, mas deveria falar mais da vida de Dante. De qualquer modo há pelo menos um enfoque cultural e passeio a ver obras de arte, em belas cidades e locais turísticos, em especial Veneza e o local de Stanbul. Também a banda sinfônica deveria tocar algo nas cenas finais. Do mais, algumas diferenças do filme para o livro.









sábado, 5 de março de 2016

Do Cinema


Do cinema


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Sempre que vejo uma parte da premiação chamada Oscar, imagino aquele cinema verdadeiramente artístico, sétima arte, que com zelo batalha muitas vezes sem nenhum lucro, e que resulta em um cinema cult, que não tem acesso a tal festividade. Em muito esses prêmios se assemelham a alguns de Miss, e outros que são bem restritos e que apesar de se dizerem nacionais, ou estaduais, nada mais são do que de algum pequeno grupo de privilegiados. Mas há filme nacional bom? Claro que há. Existem adaptações da literatura, existe ficção, existe um pouco de tudo, animações. Aqueles divulgados pelo SESC são uma boa opção, bem como em Salas de Cinema ou Cineclube, e todo um trabalho semelhante. Aqui em São Bento temos um no “CEU das Artes”, que é uma manifestação legitimamente cultural, digna de ressalva, e um espaço destinado a comunidade são-bentense, e que ainda não é conhecido. Um local cheio de possibilidades, localizado na Serra Alta, ao lado do terminal rodoviário. Assim o cinema de qualidade espera, deixando um pouco de lado as produções comerciais e que defendem um interesse mais de massa, e menos de um progresso de consciência, como o cinema cult oferece. Pois muitas vezes se reclama por não ter cinema em São Bento, mas existe sim essa possibilidade,e uma opção de qualidade, e gratuita.



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Da filosofia dos filmes e educação

 
 


Faz algum tempo escrevi um livro chamado “Filmes e Filosofia”, onde tratei de questões filosóficas em filmes. E os filmes levam a muita reflexão. Por manter um blog sobre o mesmo tema (www.filmesefilosofia.blogspot.com.br), percebi que filmes como Cubo despertam grande curiosidade, e outros como o de Pink Floyd, “The Wall” são citados em disciplinas de didática de universidades, mostrando um questionamento sobre o que vem a ser a escola, se ela não passa de mais uma linha de produção, uma fábrica de pensamento, e uma dominação da autoridade. Também o filme “Sociedade dos poetas mortos” revela grande complexidade, e que faz repensar o que é uma sala de aula e sobre os objetivos da escola. Essa escola que era antes mais parecida com uma prisão, como lembrou Michel Foucault, e que agora é democrática, libertadora, continuada e crítica. Vemos assim que filmes sempre revelam algo bom, se observados com um olhar mais reflexivo, e que a filosofia colabora com isso. Não uma filosofia do passado, mas uma de nosso dia-a-dia, de hoje mesmo, que faz parte de nossas vidas. Sem filosofia não existiriam direitos, nem sociedade, nem a organização que temos, nem ciência, nem nada. E os filmes compartilham dessas cenas que passam na produção de nossas vidas.



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Filmes Bíblicos



Recentemente voltou a ter destaque a questão dos filmes bíblicos. Vi assim um sobre a Maria Madalena (com Maria Gracia Cucinotta), que achei muito interessante. A produção enfatizava a condição dessa mulher que sofreu e que por fim conheceu Jesus e se transformou. O drama trata de uma mulher que sofre com o divórcio, perdendo propriedades da família, que se envolve com general romano, que sofre traição, trai, vive uma série de confusões, que é violentada e ao mesmo tempo conhece o poder do mundo. Essa grande mulher bíblica, que presenciou a ressurreição de Jesus, é retratada como alguém que se envolve com o poder e presencia tristemente a morte de João Batista. Outros filmes como Noé e Êxodo ganharam destaque, e recentemente vemos Os 10 Mandamentos. Fato é que refletem nossa cultura e que esses filmes se revelam de grande relevância, quando vistos em comparação a leitura da Bíblia. O cinema assim se revela de grande importância artística, um bem cultural que traz alguma contribuição a vidas das pessoas. Os bíblicos mechem com as crenças, e assim despertam a alma e coração de quem assiste.


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

CUBO 2 e a física quântica


 
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De modo diferente a CUBO 1, em sua segunda versão, o cubo é revestido de certa virtualidade, é uma espécie de gato de Schrödinger. Novamente com diversos profissionais em seu interior, todos “inocentes”, mas que escondem sempre a colaboração na máquina da morte e no “grande irmão”, resta assim que se usam também armadinhas quânticas, que interagem com a mente ou consciência dos aprisionados. Cubo 2 é uma versão mais inteligente da franquia, e soma efeitos especiais elaborados com a história canadense. Temas vários assim surgem numa história que guarda muitas surpresas.
 
 
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Em Cubo 2 o foco não é tanto ético ou político, como seus assemelhados, mas sim a evolução da física e o paradigma quântico. Ali se verá que tudo é consciência, e que a mente faz a realidade. Assim também há o colapso de onda, o vácuo quântico, as diversas dimensões do espaço, ou pelo menos a quarta, que seria representada no hipercubo, ou na téssera. Aqui entra um pouco de matemática também. A primeira grande descoberta é de que estão num cubo especial, que revela essa dimensão extra, que não é interpretada apenas como o tempo. Assim o observador determina a realidade. Fica por fim o pesadelo dos físicos: o problema da medida.
 
 
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Mas existe uma novidade nesse filme: uma moça cega acompanha os aprisionados. Por fim ela revela uma surpresa que colocará todos em estado de espanto. Mas os integrantes parecem ser mais espertos que em outras versões, e há muita modificação do cubo, parecendo ser uma sala só, às vezes mudando aspectos temporais, repetindo, viajando no tempo, reduzindo velocidade das coisas e assim por diante. Aqueles que acham saídas, como o detetive, acabam por se tornar carrascos e ele parece ser a figura do psicopata da turma.

Mas o que é matéria? São flutuações do vácuo quântico. Assim as ondas determinam muitas coisas, em especial as mentais. O homem ganha responsabilidade por suas escolhas. Deve-se deste modo aceitar a realidade e compreendê-la. Na maioria dos casos as pessoas fogem da realidade. Mesmo com as religiões. Mas desse modo vem Jesus e fala que o Reino dos céus está mais perto do que imaginam. No filme se leva a refletir até onde somos responsáveis, e onde podemos encontrar a saída das portas ou do Cubo, que reserva suas armadilhas do “destino”. Revela assim o filme a dignidade, no sentido de um antropocentrismo, ficando o homem responsável por sua liberdade. E a igualdade fica no caso da deficiente visual, tando em sua qualidades, como na grande descoberta em relação a sua participação na construção do Cubo. De vítima ela se torna vilã.
 
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Muitos espectadores gostaram do primeiro Cubo e criticaram os outros, mas ninguém negou do potencial epistemológico ou de conhecimentos dessa produção canadense. Longe de imitar outros filmes, esse buscou uma criatividade e fazer pensar. Apenas usou de certa violência nas armadilhas, mas aqui as coisas ficaram mais sugeridas. Fato é que a física presente nesse Cubo revela os desenvolvimentos de nossa ciência e se esta tem ou não ética. Pode-se projetar para uma bioética, uma vez que são pessoas as cobaias nesse instrumento. O filme também pode ser transposto para campo filosófico, para um idealismo e subjetivismo. O final não é feliz, e isso também soma a qualidade do filme. Uma produção para refletir sobre os mecanismos de poder e sobre o destino da humanidade.
 
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sábado, 6 de fevereiro de 2016

VELOZES E FURIOSOS 4 em reflexões filosóficas


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Carrões e belas mulheres: o que mais um homem pode desejar? Velozes e Furiosos 4 (que já está no 7...) parece ser um retorno a primeira produção da franquia, após o 3 que foi em Tókio, o que havia fugido da saga. Com marcas e modelos de carros para todos os gostos, o filme revela a competição interna, entre Ford e Chevrolet, e a internacional, como as marcas japonesas. Mas o filme leva a reflexão.
 
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De início, antes eu achava o Velozes e Furiosos revelava apenas a psicologia masculina, do macho alfa, eterno Édipo. De uma libido sublimada em máquinas velozes e brilhantes, com belas curvas e traseiras. A “vontade de potência” de Nietzsche. O “motor imóvel” de Aristóteles. Tudo isso parece estar no filme, somado a um budismo revelador: extremo controle, yoga. Isso mostra manobras quase circenses no volante e um túnel muito suspeito por onde correm, em assaltos e manobras em que aceleram contra a lei.
 
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Sempre admirei os carros japoneses. Por aqui se acha que carrões beberrões norteamericanos, ou os caríssimos italianos e alemães são os maiorais. Já os japoneses com preços mais econômicos e também de melhor consumo, tracionados e turbinados, ainda com intercoolers, são mais eficientes. São máquinas inteligentes. Melhor que inteligentzia. E mais eficazes. Assim em Velozes e Furiosos 4 se usam os “muscle cars” para zoar, e os japoneses como o Nissan GT-R e o Subaru TVI para mostrar quem manda na eficiência. No mais carrões menos conhecidos. E belas morenas.
 
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A velocidade e a perfeição da máquina revela a velocidade e perfeição da mente. Uma noogênese. A evolução é uma adaptação. Darvinismo mecânico. Assim modernizaram o clássico americano com uma injeção eletrônica. Isso aconteceu no mundo real também. Falando em real, o que mais faltou foi realidade na corrida dos túneis. No mais o filme foi excelente e mostra bem o ideal masculino.
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O carro é uma práxis da locomoção. É a luta de classes. Também se trata do espírito numa linguagem mecânica. O carro é a paixão turbinada, hedonismo compartimentalizado. No filme se revelam irracionalidades, assaltos, a luta com a lei. A aventura é acelerar, mesmo que o ator na realidade fique enfurnado em um carro parado que balança envolto em paredes pintadas de verde.
 
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O filme tem um bom elenco, e tem uma ótima locação,no México, ou em sua fronteira. Há cenas reais e separa a realidade da aventura. Mas na realidade, só se for na pista e com pessoas especialmente preparadas.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

A culpa é das estrelas e pensamento de Schopenhauer e Nietzsche


 

Adaptando o livro homônimo de John Green, “A culpa é das estrelas” se revela o filme mais emocionante dos últimos tempos. De uma produção de Temple Hill e outros, a película mostra uma moça, Hazel, com câncer terminal no pulmão, de modo que ela anda com oxigênio junto a ela. Não sem perder o charme. Ademais, ela conhece Gus, que sofreu uma afecção de modo que perdeu parte de uma perna, e depois sofreria de demais doenças fatais, que também demonstra grande compreensão existencial, apesar de ambos adolescentes. Um filme para chorar, e mais, um filme para diminuir os próprios e míseros sofrimentos, incomparáveis aos personagens que rondam essa produção. Como teria dito Nietzsche, um famoso filósofo sofredor, em uma carta a sua irmã: “Para que uma ética seja ao menos possível, deve-se saber qual sentido cada época confere ao sofrimento”1.
 
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Em A culpa é das estrelas se vê uma crítica ao compadecimento das pessoas do ponto de vista crítico de quem sofre com a doença. O câncer é assim colocado como uma condição humana e existencial, e as pessoas desejam viver. Viver cada dia como se fosse o último e especial. Seja para deixar o nome a posteridade, como pretendia Gus, seja para amar e conhecer seu escritor favorito, como queria Hazel. A fita começa com uma sinopse e deixa quem assiste o filme situado, mesmo que não tenha lido o livro antes, o que foi meus caso. Os personagens são engraçados, como o pouco talento de Gus no volante, ou mesmo o seu amigo que depois fica cego, o mais adolescente de todos. Já Hazel pensa que sempre seu amigo será um amigo. Com o tempo vem a declaração dele de estar apaixonado, e assim ela liberta seus sentimentos antes aprisionados na doença, limitados pela ideia de ser uma granada.
 
 
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O sonho de Hazel é uma viagem a fim de conhecer seu escritor favorito, para assim saber do final da história que tanto a perturba. Fora a crise que sofre e o cancelamento da viagem, que depois é remarcada, ela tem essa perturbação. E o escritor é mais morto que ela, um “bêbado fracassado”, nas palavras dela. Mas me lembra Schopenhauer, pois há um pessimismo no discurso dos personagens, um direito a esse pessimismo. Apesar de o amor conseguir chegar em uma relativa metafísica, apesar de haver uma densidade muito grande nesses dois jovens que se amam. Parece que os personagens sabem demais, são muito letrados, muito culturais. O amigo de Gus que fica depois cego, é o mais normal da turma. Ele nota os seios das moças e joga videogame. Já o casal que se ama, a princípio como amigos, tem o lado bom de superar a doença, mas por outro lado já envelheceram. Há um aspecto saturnino e melancólico no filme e no livro, uma fatalidade de predestinação. A predestinação da ciência, não da existência ou do ser. Predestinação para a morte. 
 
 
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O filme de início me lembrou outras duas obras do cinema que tem enredo parecido: “Uma prova de amor”, onde uma adolescente com câncer sofre seus impasses existenciais e também conhece um amor, e “Love History”, onde o amor surge entre pessoas diferentes, restando a morte da amada no final. Esses filmes completam o A culpa é das estrelas, e ainda existem e existirão outros. De positivo é se ver que quem sofre com a doença não é a doença, e que tem o direito de curtir, viver, zoar e fazer o que quiser. Apenas ficou um pouco estranha a forma que se trata a espiritualidade e religião na obra, o que poderia ser mais trabalhado. Gus declara acreditar em algo além, mas Hazel parece ser ateia. Quando ela fala nos números infinitos entre 0 e 1, talvez nesse ponto possa haver algo místico em seu ser, superando a morte que a ronda. Mas isso me fez antes pensar na hipótese de Rhiemann, e no significado do universo. Universo que ganha com o amor, que ressignifica todas as coisas, que faz a alquimia capaz de imortalizar e curar todos os males. O filme merece homenagem pois adapta bem o livro, e revela a melhor produção dos últimos tempos, como uma forma inteligente e sensível de drama. Uma experiência de Pavlov para testar as glândulas lacrimais, uma obra de arte que traz a aura do cinema, quando já não parecia ter mais aura. Por isso a plateia de uma sala levantou e bateu palmas. Sem propaganda e sem política, a plateia bateu palmas para um filme que nem conhecia, para um filme que emocionou, que mostrou o poder transcendente da arte. “A culpa é das estrelas” merece essa palmas verdadeiras, merece ser vista e para que o sofrimento seja transformador, assim como Nietzsche desejava aos amigos. E assim um amor fati, um amor ao destino, e amar nesse destino. Hazel cumpriu seu amor fati.

1ASTOR, Dorian. Nietzsche. p. 89.

domingo, 1 de novembro de 2015

A “Casa das Coelhinhas” e a reflexão moral e de tipologia


 
Uma coelhinha da Playboy é expulsa da mansão, em espécie de aposentadoria por ter vinte e seis anos. Envolve-se em certas confusões, e bem humorada acaba por colorir essa comédia, que se diferencia de outros filmes do gênero. Revela em muito o poder do feminino, do arquétipo da atração e por fim de uma moral que julga pela aparência. O ponto central está na república de esquisitonas, que a coelhinha transforma, antes de seu fechamento e extinção.

De uma história idealizada pela comediante Anna Faris, que também é a bela protagonista desse filme, em “A casa das Coelhinhas” teve de superar a sua timidez e andar com micro-short e roupas compatíveis com a personagem, bem como em fazer piadas com o universo masculino e mesmo com todo o erotismo. As regras de sedução e conquista também são desmascaradas, bem como os tipos psicológicos, que se desvelam na transformação, quando as integrantes da república Zeta encontram essa madrinha, a qual fará literalmente que ela retirem a armadura emocional. Uma das moças usava armadura ou uma cinta de metal, em realidade. Outra era virgem. Outra tímida ao extremo. São pessoas que vemos em nossa sociedade, anônimas e interessantes. Mas ocultas.
 

O filme conta com a participação dos reais integrantes da mansão da Playboy. Mas o filme tem classificação de 12 anos e mostra bem o universo da estética, já afastado da arte, um tanto banalizado no mero instinto e atração. Aquelas meninas esquisitas acabam conquistando meninos que jamais sonhariam, por mera mudança de comportamento. O behaviorismo transparece. Também a moral vê todas as críticas, quando a própria protagonista busca uma vida mais cultural, estuda e mesmo por conhecer um rapaz certinho, e ajudar um lar de idosos. O filme ainda faz homenagem a cena de Marilyn Monroe no vento do bueiro, onde nessa vez a estrela se queima com o calor.
 
 

Em meio a tipologia e a moral do filme, há a boa produção no que se refere ao figurino, maquiagem e demais adereços femininos. Há frases muito criativas, como a que ela diz: “os olhos são os mamilos do rosto”, onde há algo além do que festas, beijos e jovens. Parece que dois tipos se contrastam: o cerebrotônico, esquizotímido, das moças de Zeta antes da transformação, e o tipo popular, que é aquele que abre as portas e uma nova vida. A sociabilidade parece envolver formas de conquista, e o corpo é um instrumento de prazer, em muitos sentidos. O filme também mostra através do namorado de Shelley que um homem pode superar o macho alfa, que pode ser sensível sem ser gay. Foi mesmo acusado de gay ao não querer pegar a moça em primeiro encontro.

A cena central do filme é a da transformação. Mesmo em bastidores e comentário há comentário nesse sentido. O arquétipo da mulher objeto se vê assim superado, seja pela função democrática que a personagem ganha, seja através da moral ali pregada, da cobrança em relação ao universo feminino. E toda a mulher é mais poderosa que imagina, mais bela e sedutora. Basta retirar suas armaduras e bolha emocional, e assim conquistar seu espaço, não pela mera sedução, mas por inteligência e sabedoria. Mas o filme é muito engraçado e diferente de outros do gênero. E Anna Faris foi muito feliz e inteligente na produção, que supera de longe a mera banalidade e superficialidade.