sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Filme “Delírios de um anormal” de Zé do Caixão e apego

Filme “Delírios de um anormal” de Zé do Caixão e apego


Um psiquiatra brasileiro queria provar que José Mojica Marins (Zé do Caixão) era louco, isso na vida real, haja vista sua esposa, a do psiquiatra, estar fixada nos filmes e no personagem sinistro. Assim, por ciúme e apego a sua amada, o psiquiatra convidou Mojica e este foi a sua casa, mas para provar que não existe tal personagem, que é uma criação sua. A mulher por fim se desencantou e perdeu a paixão pelo homem de longas unhas e capa preta, bem como seu esposo foi acalmado. Resta que por esse fato da vida real, Mojica fez esse filme surreal, que retrata um psiquiatra com pesadelos onde sua mulher foi raptada pelo Zé do Caixão e está a passear perdida pelo inferno. No mais, pura arte e cenas que chocam pela criatividade e originalidade.
            Diferente de outros filmes, como “Essa noite encarnarei no teu cadáver”, aqui o Zé que acaba por se aproveitar das pessoas. Em especial, as mulheres sofrem no inferno. Mas em resumo a arte de Zé retrata bem a perseguição sofrida pela censura e pela ditadura, o que foi concentrado nesse filme. Mas o psiquiatra não tem tratamento com seus pesadelos, está acamado. Assim a equipe que o trata chama José Mojica pra ajudar a convencê-lo que Zé do Caixão não existe, tarefa dificultosa pelo forte apego do paciente pela mulher que o Zé seqüestra. Não é bobo tal Zé, pois ela sensual e despertadora das paixões mais calientes. Assim diz a ele, o Zé do Caixão: “Essa mulher não te pertence”. Que marido apaixonado desejaria ouvir tal frase? Um teste para o ciúme. E ainda que o Zé disse que essa mulher era a “escolhida” para a geração de um filho perfeito, etc.
            O filme já começa chocante, com uma espécie de doido e seu tambor, e uma série de mulheres em quase ritual especial. Com os pesadelos do perfeito psiquiatra revelam a face do inferno, com todos os seus detalhes. O Mojica disse que dentre o seu público estão os ocultistas, e mesmo muitos umbandistas. Fato é que o Zé do Caixão, a entidade, teria inclusive baixado em um terreiro. Isso prova a força parapsicológica da criação mental, não podendo afirmar a inexistência de algo, nem de um personagem. Bom que o filme mantém uma história paralela, de um Zé do Caixão bem sucedido, que dá todo conforto a empregados em sua mansão, o que na realidade não havia ocorrido. Sempre foram muito baratas as produções e mal davam para sustentar a vida de Mojica, sendo puro amor pelo cinema, e não enriquecimento, seu fim, na vida real.
            Mas vale a reflexão sobre o apego, nossas emoções mal resolvidas e sobre as crenças. O inferno é ponto focal de nossa cultura cristã, seja ela de que denominação seja. No discurso que Zé faz no CD da banda Sepultura (Against) fica bem claro o seu tratamento ao inferno, como consequência de todas as aberrações sexuais. Nem no caixão estaria o descanso, por ironia. Em diversas culturas se descrevem demônios e inferno, então há um fato comum nessas crenças. Nada mais é que uma forma de purgar as imperfeições humanas, seu apego instintivo para que a alma saia purificada. Um batismo de fogo. E essa sim é a espada (flamejante) dos querubins na entrada do Éden. Vale que o filme retrata tal meio mais com máquinas de torturas (um homem teve seu dedo amputado, mas na vida real já não tinha dedo, por curiosidade...), insetos e cobras (por isso as mulheres sofrem...), do que com fogo. Há uma série de efeitos especiais sem computador, com meros materiais ingênuos ou maquiagem. Uma obra de arte desse Bluñuel brasileiro, que deve ter sua homenagem na sétima arte. O filme é bem diferente, e vale a pena.      

4 comentários:

  1. Mariano Soltys: todo casamento tem um pitada enorme de loucura. Rapariga: quer conhecer o noivo, case-se com ele. Rapaz: quer conhecer a noiva, case-se com ela. A motivação pela qual casamos com outra pessoa também é loucura. Cor dos olhos, formato da bunda, quantidade de dinheiro, enfim, nada que seja estritamente racional. O Senhor Deus seja vossa força. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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  2. Hoje sou mais realista.. e não muito a favor de limitações e escravidões. O casamento é positivo, mas apenas só quando almas muito parecidas se encontram. Deoutro modo, melhor seria curtir e não se apegar. Mas a sociedade valoriza o casamento, mais pela família. São escolhas.. abraço amigo

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  3. Achei bem interresante pretendo assistir

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  4. valeu beh... volte sempre e confira todos os filmes.. esse é bem louco kkk bj

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