Reflexões sobre filme Parasita
Reflexões
sobre filme Parasita
Recentemente
houve certa relevância de filme Parasita (Parasite), Gisaengchung (Coreano: 기생충), da
direção de Bong Joon Ho, vencedor do Oscar de 2020,
onde se vê claramente um filme alternativo e com tom de drama, envolto de certo
suspense ao final. O filme claramente trata de diferenças de classes sociais e
mostra a astúcia de uma família pobre e desempregada ao trabalhar na casa de
uma família rica, aproveitando da situação para vivenciar a vida burguesa e
todas as suas vantagens. O filme tem bom roteiro, fotografia, bem como os
jovens atores mostram considerável desenvoltura, como Choi Woo-shik. O filme também
trata de arquitetura e urbanismo. Este ganhou mais fama ao entrar em um
streaming de filmes pela internet.

Venho acompanhando, juntamente a minha
esposa, séries sobre compra de casas luxuosas no Canadá, onde as exigências são
variadas, com grande requisito de conforto e espaço. Geralmente pedem um quarto
grande e uma cozinha em conceito aberto, senão toda a casa em conceito aberto,
com muito vidro, deck, banheiros com duas cubas, pé direito alto etc. Comparada
a realidade da periferia, tais casas seriam um sonho para o paraíso após a
salvação em Cristo. Contudo, em filme Parasita, a família pobre vive em um porão,
de modo que lá não existe luz, e ao ir à casa do patrão, encontram luz, grama
verde, sol e tudo o mais que um paraíso reserva. Para o pobre resta esperar um
paraíso em um além mundo, além mundo que criticava o filósofo Friedrich Nietzsche,
ainda este vendo o povo como um rebanho. Já o pensador Proudhon dizia que a propriedade
é um roubo. No filme, a família que mora num porão sujo acaba por ter a ideia,
após a chance de um menino em lecionar como tutor a menina rica, a qual namora
posteriormente, a chance de mudar de vida e superar a miséria. Contudo, ao
encontrar um homem vivendo em outro porão, que é bunker da mansão do patrão,
eles mudam de destino, ameaçando sua vida de rendimento garantido e
confortável, como motorista, cozinheira e professores de inglês da família
abastada. Marx veria nessa situação toda uma alienação justamente favorecida
pela mudança parcial de classe, mas sem a revolução. Mas a família pobre não é
honesta, sendo que ao fim não choca tanto ver o ocorrido no filme, uma vez que
a fraude de falsos diplomas, qualidades e mesmo parentesco dos empregados,
estava por ruir. A questão ética surge, em oposição a necessidade. A lei
protege o estado de necessidade, mas não protege uma desonestidade. Também se
usa ao fim a legítima defesa, mas uma das pessoas era vítima, o que não se
enquadraria nesse tema jurídico.

Por fim, o filme Parasita mostra quase
um jeitinho brasileiro em se mudar de vida, superando a pobreza. Apesar da
autoria oriental, o povo de países em desenvolvimento deve se identificar em
larga escala com a família do porão. As diferenças de classes se mostram ao se
subir e descer ao longo da trama, e assim da luz às trevas e das trevas à luz.
A religião nem aparece ou muito sutilmente. A arquitetura já se torna algo sem
aura, como veria a Escola de Frankfurt, meramente para demonstrar a riqueza e o conforto. O diretor usa do tema contra o capitalismo
algo que parece ser agora muito atual. Frente ao Coronavírus, vimos que tudo
porém pode ser mais democrático, como disse outro artista famoso Ai Weiwei,
chinês. Quando um filme desse vence o Óscar, percebemos que arte mais crítica
inda pode ter importância, e que o mundo pode reservar a oportunidade a todos.
A fome contudo permanece, e as belas e ricas árvores vez ou outra mantêm
parasitas em seus troncos, sobrevivendo do resto de certa nutrição. O filme
Parasita é um marco atual de grandes produções, juntamente com o filme Coringa,
para mostrar a injustiça e desigualdade social que permanecem no mundo
pós-moderno.
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