quarta-feira, 16 de maio de 2012

Filme Hipnos

HIPNOS E ELOGIO DA LOUCURA

           
Essa película de produção espanhola me surpreendeu, mesmo porque usa quase sempre de recursos simples de efeitos especiais, e demonstra a dimensão da angústia humana, ainda mais quando se trata de um hospital psiquiátrico. Aqui a jovem e bela psiquiatra Beatriz Vargas começa se dirigindo com seu veículo até seu novo emprego, que é numa luxuosa e bem conceituosa clínica psiquiátrica, sendo que já no caminho quase se acidenta, denunciando assim a sua condição, depois a ser desvelada. Chegando lá, se depara com loucos trafegando pelo jardim, calmos e bem assessorados, entre eles uma menininha que presenciou morte da mãe por assassinato, e que assim traumatizada ficou muda e apenas desenhando riscos numa folha de papel. Já de cara me lembrou da obra do filósofo Erasmo de Rotterdam, “Elogio da Loucura”, onde todo um estudo é feito, e outra obra, “O Suicídio”, de Emile Durkheim, haja vista os suicídios que ocorrem. Por falar nisso, é ao presenciar a morte misteriosa de menininha que a psiquiatra Beatriz se vê num impasse entre acreditar nas suas suposições, e em acreditar na desculpa dada pelo seu chefe, homem mais que suspeito.
            Rotterdam disse que loucura é o mesmo que sabedoria, que quase todos os homens são loucos, que muitas das situações da vida se baseiam em loucura e que a própria religião entraria nessa dinâmica, e por fim que serve a felicidade. No filme, a protagonista vive mais fora de si do que em si mesma, vive tomando medicamentos e quase sempre, para a alegria masculina, vive com nenhuma indumentária, e se banhando. Seus delírios e seus trabalhos com os pacientes se misturam, e não parece uma pessoa muito feliz, a não ser quando encontra um paciente que se diz policial infiltrado e com este tenta desvendar um mistério de suicídios numerosos que ocorrem na clínica, mas este rapaz já não tem mais controle de si mesmo, como todos da clínica. Ocorre que um psiquiatra com falta de ética fez parece hipnose para manipular as pessoas internadas, e mesmo enfermeiras e outros.
            Sobre suicídio, é fato que ocorre bastante entre portadores de algum tipo de redução mental, ou de deficiência nesse sentido. E a maior proporção é de homens, sendo quase 3 para 1, com parando-se a mulheres, como demonstrou Durkheim. Vemos que fatores como a depressão e a vida sem sentido colaboram para que o sujeito ponha fim a própria existência. Segundo espíritas é o pior dos crimes, tendo punição da justiça divina mais severa que outros crimes. A psicanálise fala em Anteros, uma forma de força que impulsiona para a morte, forma de antítese a Eros, o amor personificado ou endeusado. Mas no filme a Beatriz vê o médico sugerindo a menininha que ela corte os pulsos e veja flores de sangue, etc... em clara sugestão hipnótica e espécie de programação, e assim ocorre exatamente como o mesmo a sugeriu. A menina assim faz e se joga de grande altura, aparecendo flutuando na água do jardim. Outro caso se segue, quando ao estar na beira da praia, vê um dos pacientes entrar no mar e desaparecer, e depois um enforcar-se.
            A Beatriz tem uma serie de fantasias que ao fim quem assiste o filme pensa que a mulher é estranha, mas ela parece ter em sonhos as visões. Alem de semelhante à enfermeira, se envolver sexualmente com o policial (fantasia feminina...) que lá estava internado, ao descobrir uma arma sua enterrada no jardim, fato que antes era duvidado, a psiquiatra queria agora fugir da clínica e se via com mais problemas. Pareceu-me que ela também era uma paciente todo o enredo é a forma de uma internada de ver o mundo e sonhar, mas isso seria uma interpretação muito extrema. Se o roteirista ou produtor me falassem que tudo não passava de delírios e sonhos de uma jovem internada por loucura, eu acreditaria. Fato é que o filme não perde nada para os da indústria norteamericana, e que pela bela protagonista faz do drama algo mais interessante de ser acompanhado, mesmo porque se parece um romance policial traduzido na telona. Um filme diferente e inteligente, sem fim e acontecimentos esperados, no estilo que admiro, e sem mero marketismo.    

5 comentários:

  1. O interessante da clínica psiquiátrica é que ela é fonte de muito assunto. Pena que muitos psiquiatras estejam ainda atrelados à psicanálise. A riqueza que presenciamos na clínica psiquiátrica, enquanto algo fenomênico, é credora de muita criatividade teórica. Está mais do que na hora de Freud ser sobrepujado. Continue trabalhando este blog, meu caro intelectual. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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  2. Deve ser bem legal o filme vou abaixar =)

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  3. BOA TARDE CLEVERSON..E BERENICE..O FILME SE TRATA DE ALGO DIFERENTE..SEM AQUELE CLICHE DE HEROI E VILAO.. OU DE PESSOAS PERFEITAS.. E CLEVERSON..O PATRICK VIU E O LUCIANO TAMBEM.. ELES PODEM FALAR COMO E .. E BEH..VEJA..MAS NAO FIQUE LOUCA..ABRACO

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  4. Eu vi a série de televisão O Mesmer descobri que existem vários elementos deste filme que tem uma relação com esta série, eu sei que você não é igual, mas eu quero dizer o tema, eu espero que você possa vê-lo e apreciá-lo como eu

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