sexta-feira, 4 de maio de 2012

Filme Rocky e as pedras no caminho


FILME ROCKY E AS PEDRAS NO CAMINHO





                 

Sempre vi com outros olhos esse filme de Stallone, onde ele mesmo comenta também com não o boxe como o centro do roteiro, mas a superação de um homem em relação as suas adversidades da vida, e por isso me identifico ao personagem, que ao longo dos seus 30 anos de história apenas encontrou frustração e decepção, apesar de possuir o talento. Vejo assim o primeiro e o último título como aqueles mais centrais, e interligados, uma vez que o último volta ao primeiro, e a história de amor é o foco, de um cara que é julgado de bobo com uma moça que é julgada de tímida e também louca. Claro que o nome Rocky leva ao grande pugilista Rocky Marciano, e assim estou eu aqui a escrever, Rocky Mariano. A película se baseia na história de um homem que vive a trilha de um anti-herói, por estar sempre em cenas que revelam a penumbra e a periferia, bem como o seu ofício de menino de recados de cobradores agiotas, assim usando de sua força para cobrar as tais dívidas. Tanto que seu treinador perdeu a esperança desse boxeador, que tem a sua chance quando o campeão, Apollo Doutrinador o convida para a luta de sua vida. Finalmente a oportunidade vem, quando dos 30 anos.
         Vejo que em meus trinta anos também apenas tive pedras no caminho, tanto em ofício literário, com negativas de editoras, assim como em vida emocional, com foras, bem como na advocacia, com maus pagadores e mais outras áreas da vida. O Balboa do filme morava em uma espécie de cortiço, não despertava a atenção de ninguém e mesmo assim tinha talento, vencia nos ringues, mas em lutas que apenas garantiam sua sobrevivência, ou nem isso. Uma luta constante pela sobrevivência nos lembra a lógica darwinista, e ainda a filosofia da cientologia, onde a lei principal da vida é a sobrevivência.
         Nos comentários Stallone, aqui roteirista, fala dessa questão do rapaz que não tem muita simpatia, briguento e tudo mais. Apesar de seu roteiro original ser usado em apenas 10%, além das alterações, talvez para adicionar a história de amor, com a pura e casta irmã de seu amigo, este que trabalhava em açougue, o mesmo o apoiando nessa conquista, a conquista da força pela inteligência. Fato é que ao patinarem juntos, ela declara que sua mãe disse que por não ter corpo ela deveria buscar a inteligência, e Balboa fala que por não ter inteligência, seu pai falou para ele usar o corpo – isso resultou nas almas-gêmeas. Mas a luta maior foi a da esperança, uma vez que o protagonista já não tem esperança ou sonho, e para um atleta trinta anos já é idade avançada. Mas a exemplo de nós brasileiros, ele não desiste nunca. O amor vence, hora pelo boxe, e em outro momento pela mulher ideal a sua vida. Claro que isso em 1976, onde as pessoas pareciam mais inocentes, coisa que hoje não vemos muito. E o amor vence, uma vez que ele a chama após superar Apollo, u aguentar seus golpes.
         Já no último Rocky ele está viúvo, e apenas interessa voltar a lutar, uma vez que aposentado e dono de restaurante, não se sente realizado. Hoje também eu não me veria sem escrever, pois os livros tomaram uma importância especial, uma vez que manifesto mais sentimento que na advocacia. Balboa nesse tem filho trabalhando em grande empresa e o rejeitando, sendo que essa conquista se faz por discurso, e a fama faz mais o boxeador que seus golpes, apesar de ainda estar em grande forma. Um personagem único e insubstituível, e outro ator não pode fazer. Isso me lembrou o Mojica brasileiro com seu Zé do Caixão, que também, é insubstituível. Mas as pedras no caminho, nesse último filme são superadas e a dor das limitações físicas da idade também não são barreiras fortes o bastante para vencê-lo. A vida é uma luta, é um ringue. E nunca se é tarde para vencer, para dar bons socos e para erguer o troféu. Um orçamento baixo e uso de atores da própria família de Stallone resultaram mesmo assim em vencedor de Óscar de melhor filme, e claro que o boxe foi apenas coadjuvante nesse enredo, esta luta ensaiada como uma dança, segundo bastidores, e  onde saber cair e levantar servem de lições existenciais a todas as pessoas, mesmo aquelas que jamais vestiram uma luva de boxe.


2 comentários:

  1. Todos nós somos lutadores. E por vezes a luta fora dos rings são mais renhidas do que a luta em cima dele. A vida real tem muito mais rounds do que a vida naquele quadradinho apertado. Gostei do filme, um dos poucos que assisti. A mensagem de superação fica muito patente. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

    ResponderExcluir
  2. Gostei do post. Sou fa dos filmes do Rocky desde pequeno, cresci vendo-os passar na Sessão da Tarde, e isto meio que me inspirava. Hoje me encontro numa situaçao parecida do Rocky, nos filmes, antes da fama e de conhecer a Adrian, e um pouco da sua em algum momento, quando nao conseguia ver chances de vitoria. Estudo Direito em uma faculdade particular de media referencia, bem media mesmo, e mesmo assim nao vou bem por nao conseguir estar presente/atento nas aulas, nem conseguir equilibrio para estudar sozinho. A esperança esta muito distante, acho que pode ser depressao. Mas, enfim, ainda tenho 24 anos, acho que devo apenas aguardar para ver onde isto vai dar.

    ResponderExcluir