domingo, 19 de fevereiro de 2012

Filme Incontrolável

INCONTROLÁVEL - UM MONSTRO DE METAL




           
Incontrolável não se trata de um homem tomando cerveja – não nesse filme. Aqui Tony Scott se superou em uma produção mais do que especial, há que muito tempo não se via na telona, onde um trem desgovernado assusta e arrepia em cada cena, trafegando carregado de carga explosiva e ameaçando a vida de cidades inteiras. O filme agrada já de começo, por evitar ao máximo a Computação Gráfica. O cinema de uns tempos para cá decaiu pelo exagero em coisas produzidas em computação gráfica (CG), o que o produtor aqui quis evitar. Assim descarrilou um trem de verdade! Mandou dublês para cenas perigosas e os próprios atores nas cenas com um trem em movimento, bem como muitos helicópteros para filmá-lo passando às vezes a centímetros de distância. Denzel Washington apesar da idade, aqui teve que fazer um cinema mais real, e onde o protagonista era antes a máquina que o ator. O filme vale a pena, por não exagerar na violência e ter assim classificação de censura de 10 anos, o que atrai crianças para assisti-lo.
         O filme é daqueles que você não pode desviar a atenção. Se acontecer, acabará perdendo alguma colisão de trem com algo, e algo real, e ainda a cena do descarrilamento é muito interessante, parece que tem umas vinte câmeras para o incidente. Paralelamente, os dois protagonistas têm problemas familiares, um com a esposa em divórcio e outro com as filhas, por ter esquecido data de aniversário e se dedicar muito ao trabalho. Outro conflito é o empregado novo que substitui o que se aposenta, e ambos começam assim antagonistas no enredo, tentando parar esse míssil montado em uma locomotiva. O problema foi que até chegar a isso, exigiu muita luta e quebra de barreiras, em um feito heroico para primeiro chegar a máquina com outra composição, isso de ré, e depois de acoplar começar a frear e tentar segurar a outra máquina, o que não foi conquistado facilmente.
         Muitas técnicas de filmagem e máquinas paralelas foram produzidas. O produtor disse que a computação gráfica ficaria cara, daí ele comprou um trem de verdade e reformou, usando para as cenas. Isso sem falar em várias máquinas com altura modificada, uma que a câmera circula em seu perímetro e outras ainda, facilitando assim filmagens e closes em enquadramentos. Também os pilotos das filmagens aéreas passam raspando em árvores, andam bem próximos de Denzel, e assim trazem uma emoção real ao filme, não apenas montagens, como em outros filmes. Essa película parece daquelas que podemos ver em matinê, e quando começar a passar em sessão da tarde, certamente será algo que colocará as crianças sob atenção redobrada, especialmente os meninos. 
         O produtor mesmo disse que o filme deveria se chamar The Beast, mas acho que já deve ter existido algo ou não vingou essa opinião. E há algumas cenas em que junto ao som da locomotiva há mesmo o rugido de uma fera, propositalmente inserido. Isso muito lembra os instintos e dificuldades da vida, que são feras que nos levam para uma proximidade de desistir e até da morte. Ademais, os personagens passam por extremos, em momento de serem despedidos do emprego, e noutro momento como uma surpresa que vem ao final, que não vou contar. Lembrou-me outro filme de trem descontrolado, mas esse pareceu mais filmado por seu exterior, enquanto o outro era no gelo, e envolvia mais os personagens. Aqui a locomotiva é o personagem.
Os meninos vão gostar do filme porque mecanismos e poder são partes da personalidade masculina. Desde cedo percebemos que meninos ficam vendo máquinas, tratores, trens, navios, aviões, carros e tudo que envolva mecanismos. Minha mãe disse que eu mesmo sumia às vezes com 4 anos de idade para ver tratores e carretas perto do apartamento onde morávamos. Atualmente sou uma locomotiva filosófica, com meus 16 livros e muitos temas polêmicos. Mas o Incontrolável é um filme que comprei, e que revejo de vez em quando, pois tem uma ação que não apela para a violência e traz um trabalho bem feito de produção e filmagem, sem as muletas de efeitos especiais de computador. Chegando ao fim em uma curva, talvez significasse que todos temos curvas em nossas vidas, com locomotivas explosivas de problemas, mas que superamos e vencemos no heroísmo que se torna por fim a experiência de nossa existência. E tudo pode ser revertido, pode ser resolvido. A máquina do filme se dava como caso perdido, e mesmo assim alguém teve esperança de salvá-la. O monstro foi vencido, feito a obra de São Miguel ou São Jorge, e por fim não ocorreu a explosão que eu esperava. Talvez em uma continuação, veja eu uma explosão maior. Conclusão é que o incontrolável na verdade é controlável.

Um comentário:

  1. A locomotiva é um exemplo formidável da tecnologia Pi. Hoje grandemente substituída pelo automóvel. Uma das invenções mais preciosas da pré-história foi a invenção da roda. A roda está em toda parte e não obstante vejamos um crescimento exponencial da tecnologia não Pi a tecnologia Pi continua expandindo-se. A produção cinematográfica comentada foi muito feliz na escolha do tema. CLÉVERSON ISRAEL MINIKOVSKY

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